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O golpe tá aí!
Só quem conhece a história saberá defender a sua liberdade

Laerte
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Hoje vamos contar a história de um povo que caiu num golpe. E pode ser que essa história sirva para que você não caia também. Era uma vez um mundo que se dividia em dois blocos. De um lado o capitalista, liderado pelos Estados Unidos da América (EUA). De outro, o bloco comunista, liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Esses blocos disputavam países no mundo inteiro. De modo que, se um país estivesse contra a forma de agir de um desses sistemas, era automaticamente classificado como inimigo.

            Em um certo país da América Latina, chegou ao poder um presidente trabalhista, o a quem chamavam de Jango*. Ele acreditava que era preciso fazer algumas reformas de base em seu país. Aumentar o salário mínimo para atender as necessidades reais da família, distribuir terras que não estavam sendo utilizadas (latifúndio improdutivo), controlar os preços dos aluguéis, oferecer escola gratuita e de qualidade em todos os níveis de ensino para toda a população, dar liberdade para os trabalhadores se sindicalizarem e reivindicarem melhorias, desenvolver o país de forma independente dos investidores estrangeiros, nacionalizando setores estratégicos (como o petróleo), controlar os lucros excessivos de empresas estrangeiras que eram enviados para fora, exigindo uma compensação para o seu país. Para ele, a distribuição de renda era o fator principal para desenvolver a nação.

            Embora a população do país, a maioria empobrecida e da classe trabalhadora, tenha vibrado com essas propostas, indo às ruas para apoiá-las, houve um grupo poderoso que viu essas mudanças como uma grande ameaça. Tudo isso afetaria diretamente os interesses do bloco dos capitalistas (governo estadunidense, empresas estrangeiras, militares, latifundiários e empresários), acostumados a dar as cartas nesse país, com uma vida de privilégios. Usaram sua força econômica e militar para frear aquela mobilização que, com o governo de Jango, poderia ver uma transformação social acontecer.

            Os dólares jorraram nos veículos de comunicação, nas igrejas, nas empresas, nos gabinetes dos políticos. Nos intervalos das sessões de cinema até os casais mais apaixonados saiam morrendo de medo da “ameaça comunista”. A mesma propaganda ganhava corpo na imprensa, nos refeitórios das empresas, nos sermões das igrejas. Diziam que só os quartéis poderiam “salvar a pátria”, para defender as propriedades, os méritos individuais, a iniciativa privada, a família, a religião, a moral e os bons costumes. A lorota pegou. E bem no dia dos tolos (1º de abril) aquele país começou a viver uma ditadura militar que provou que nada disso era verdade.

            Nos primeiros meses do novo governo militar acabaram com as eleições diretas, cassaram os mandatos dos opositores, demitiram servidores da ala adversária (tanto militares, quanto civis), fizeram muitas prisões. O país passou a ser governado por decretos, chamados de Atos Institucionais (AI), editados pelos cinco generais que estiveram na presidência. Com esses Atos Institucionais, eles tentavam dar um ar de legalidade às suas medidas autoritárias, mas iam sufocando os direitos políticos e civis da população. Uma parcela desse povo, revoltado com a situação, não se cala, mesmo correndo risco. Vai às ruas, protesta, organiza, resiste. Encontra como resposta repressão e violência policial, além de uma campanha midiática ferrenha que, patrocinada pelos EUA, intitula qualquer um que se opõe como “terrorista”. Aqueles que se organizam para defender os direitos do povo enfrentam a censura, a repressão, a ameaça aos familiares, a perseguição, o desemprego, a prisão, a tortura, o risco de morrer nos porões da ditadura. Várias famílias têm seus parentes desaparecidos após prisões, quase sempre ilegais. Passam-se vários anos com os militares no poder e o povo pagando a conta, com uma enorme carestia (encarecimento do custo de vida) e endividamento externo do país (que era tratado como “milagre econômico”). A economia entra em crise, afetando os padrões de consumo e as condições de vida, enfurecendo também parte da classe média, que até então tinha apoiado o regime. O povo organizado consegue denunciar a repressão vivida no país para órgãos internacionais. A imprensa alternativa e sindical, as artes, a música o teatro, fortalecem a luta contra a opressão, questionando o regime. O descontentamento nacional com o governo militar aumenta. Com o tempo, a realidade vivenciada no país, vai desmascarando a mentira inventada para justificar a ditadura. Pois o golpe, na verdade, tinha acontecido para barrar uma transformação que mudaria o curso do país, tornando-o mais independente do capital internacional. A distribuição de renda permitiria diminuir a desigualdade social, incentivar a indústria nacional, criar novos postos de trabalho, frear o envio das riquezas nacionais para o estrangeiro. Se isso acontecesse nesse país, poderia gerar uma reação em toda a América Latina, influenciando a política dos demais países. Então, esse golpe mudou o rumo da história. E atrasou o desenvolvimento daquele povo, que estava a um passo de viver um salto na sua qualidade de vida.

            Infelizmente essa história não é mentira. Faz 60 anos do golpe militar que aconteceu no Brasil na madrugada do dia 31 de março para 1º de abril de 1964. O episódio deu início a uma ditadura que durou 21 anos no país. De acordo com o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), 434 pessoas foram mortas durante o Regime Militar. Esse número é contestado, já que as mortes admitidas são apenas de pessoas ligadas a movimentos políticos. Para Eugênia Gonzaga, procuradora da República e ex-presidente da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP)*, se for falar em número de mortos, é no mínimo 10 mil pessoas, sendo que dessas vítimas oito mil são indígenas, assassinados pela política de ocupação da Amazônia. 

            Lembrar essa parte da história é essencial para que cenas do passado não se repitam. A sociedade precisa ter uma postura clara de defesa dos direitos democráticos, contra a repressão, a tortura, as perseguições, a censura, a impunidade, o desaparecimento e ocultação de cadáveres, que ainda hoje são tão presentes. O fato de grande parte da população desconhecer o que realmente aconteceu durante esse período sombrio da História brasileira, faz com que, muitas vezes, medidas autoritárias, declarações antidemocráticas, favoráveis ao golpismo e de ataque aos direitos humanos ganhem apoio popular. Por isso é importante questionar sobre esse período: as pessoas eram livres, pra ir e vir? Havia liberdade de pensamento e expressão? Os trabalhadores podiam reivindicar melhorias? Como eram os salários nessa época? As pessoas podiam se reunir? O povo podia ir pra rua protestar? A polícia e a Justiça dava direito do acusado se defender e ter dignidade? Pesquisar esse período é fundamental para valorizar a liberdade que os brasileiros têm hoje e, assim, continuar a luta por um país independente e com justiça social. É conhecer de verdade o que é democracia, para fugir da mentira que pegou o Brasil em 1º de abril. Afinal, o golpe continua aí, querendo ressuscitar os torturadores do povo. E o SECI está na resistência para que ninguém caia. Ditadura nunca mais!

 

* Jango era o apelido do presidente João Goulart.

 


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Fonte : Ascom/SECI




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