Estou nu na praça
Com a bunda exposta
Uma nudez estranha
Coletiva
Um grito mudo de socorro
E a caravana caminha parada
E passam
O presidente
O governador
O prefeito
O vereador
As mãos na manha bunda
E passam
A escola
O professor
O colega
A menina da entrega
As mãos na minha bunda
E passam
O papa
O bispo
O pastor
O religioso bem intencionado
As mãos na minha bunda
E passam
O juiz
O patrão
O puxa-saco
A Televisão
As mãos na minha bunda
E passam
A autoridade competente
A polícia
O advogado
O dono do mercado
As mãos na minha bunda
E passam
O moleque
A prostitua
Aquele demente
Até o cego, coitado
As mãos na minha bunda
E passam
E passam
E passam
Com minha genitália flácida
Impotente
Assisto esta suruba social.
Antonio Ademir