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Professores de Ipatinga em greve
Exatamente uma semana após o início do ano letivo nas escolas da rede municipal de ensino, acontece nesta terça-feira (9) uma greve de 24h dos servidores da área de educação de Ipatinga. O motivo da paralisação continua sendo o mesmo do final do ano passado, quando não houve a inclusão do piso salarial nacional da categoria no orçamento do município de 2010.
Os professores, através do Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), organizam diversas atividades ao longo do dia para chamar a atenção da sociedade para suas reivindicações. Uma reunião para nova negociação – uma vez que todas as outras tentativas foram frustradas – estava marcada para as 16h desta terça-feira (9). Entretanto, a prefeitura cancelou o encontro devido à falta de data disponível no calendário do prefeito interino Robson Gomes (PPS).
O próprio sindicato disse ter recebido como justificativa para o cancelamento da reunião o fato de o prefeito ter sido submetido a uma cirurgia para retirada de pedra na vesícula.
Pessoas de seu relacionamento confirmaram a intervenção, realizada sábado (6), no Hospital Márcio Cunha, mas asseguraram tratar-se de uma intervenção simples, sendo que o prefeito nem mesmo pediu afastamento. Nesta segunda-feira (8), pela manhã, Robson já foi visto em público acompanhando o lançamento de obra.
A falta de consenso em relação à questão salarial dos professores de Ipatinga se tornou um problema para a administração interina. O impasse teve início em novembro do ano passado, quando os professores, no intuito de terem seus direitos reconhecidos, lotaram o plenário da Câmara de Vereadores durante as sessões que discutiriam a peça orçamentária do município para 2010. Como o piso salarial da categoria não foi incluso no orçamento, os educadores organizaram uma série de protestos contra a prefeitura, tendo em uma delas ocupado o gabinete do prefeito interino Robson Gomes (PPS), para tentar forçar uma negociação.
A categoria reclama que mais uma vez a investida foi frustrada. Alega que as reivindicações dos professores nem mesmo foram ouvidas pelos representantes da PMI. A justificativa da administração foi de que a inclusão do piso salarial implicaria num impacto muito grande no orçamento municipal.
No fim de novembro, a PMI entregou à direção do Sind-UTE um documento com dados que supostamente justificariam o impacto que a implantação do piso salarial provocaria nas contas do município. Porém, representantes do sindicato consideraram que os elementos fornecidos pela prefeitura foram “insuficientes e sem fundamentos”.
“Os dados fornecidos não apresentaram elementos suficientes para mostrar o impacto que o piso salarial provocaria no orçamento. Pedimos um detalhamento dos cargos da educação que constam no cálculo do impacto do piso, o detalhamento das despesas empenhadas liquidadas e orçadas, o que não nos foi repassado. As informações não estavam completas”, alegou a coordenadora do Sind-UTE, Feliciana Saldanha. “Com todos os elementos, poderíamos fazer os cálculos e mostrar que a prefeitura tem, sim, condições de implantar o piso”, completou.
Greve
Além da greve de 24h, os professores anunciaram a realização de uma panfletagem na portaria da Usiminas, PMI e nas ruas do Centro. São cerca de 1.400 profissionais lotados na rede municipal, e o movimento deixa sem aulas um contingente de mais de 21 mil alunos. Foi programada uma concentração na Praça 1º de Maio, a partir das 8h, para discutirem sobre as questões relacionadas com as reivindicações da categoria. A partir das 14h, os educadores vão se deslocar para a entrada da PMI, onde irão protestar contra a negativa da gestão interina em negociar com o sindicato.
A decisão pela greve foi tomada em virtude do não pagamento, pela PMI, do piso salarial estipulado pela legislação federal, além do não cumprimento por parte do prefeito da revisão do plano de carreira do magistério, o que segundo o sindicato pode ocasionar, inclusive, em cortes de repasses de verbas federais para Ipatinga. O sindicato reivindica ainda a aplicação do reajuste salarial para a categoria.
Ao fim da manifestação, está programada uma Assembléia Geral para definir quais serão os rumos da luta da categoria.
Fonte: Jornal Vale do Aço
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